domingo, 24 de agosto de 2014

Amarelinha O da jogo

QUADRO DE ORIENTAÇÃO

     Hoje, a querida leitora e o estimado, embora rabugento, leitor, que nunca perdem este blogue, estão convidados a brincar. O acúmulo de trabalho, imposto pelo batente que remunera este humilde cronista, nos impede de tamborilar idéias insanas e correlações esdrúxulas. No entanto, para não deixá-los a ver navios, aí vai a notícia da semana, a qual deve ser lida respeitando religiosamente a ordem indicada para ler as linhas numeradas.

Ordem de leitura:
11, 21, 7, 1, 12, 17, 24, 29, 9, 5, 14, 33, 27, 8, 30, 36, 18, 28, 39, 10, 23, 13, 31, 25, 6, 4, 19, 34, 37, 2, 3, 26, 22, 15, 35, 32, 20, 16, 38

  1. Feira,
  2. de
  3. Cronópios
  4. Cortázar,
  5. mais
  6. Julio
  7. Terça-
  8. para
  9. celebramos
10. anos
11. Parabéns, 
12. dia
13. nascimento
14. uma
15. Famas
16. da
17. 26
18. latino-
19. autor
20. Jogo
21. Hermanos!
22. de
23. do
24. de
25. escritor
26. e
27. histórica
28. americana: 
29. Agosto
30. a
31. do
32. do
33. data
34. de
35. e
36. Literatura
37. Histórias
38. Amarelinha.
39. 100


E até breve, pois não há mal que sempre dure, nem bem que nunca chegue.


Rafael Linden


sexta-feira, 15 de agosto de 2014

Estão roubando outro planeta

          Uma piada, contada num programa de televisão pelos humoristas do Casseta e Planeta, mostrava um assaltante armado rendendo um cidadão e gritando “Anda, diz aí o nome de todos os afluentes da margem direita do Rio Amazonas, senão eu atiro!”. A vítima, suando frio, “Javari, Jutaí, Juruá, Madeira, Purus, Tefé, Coari”. O bandido “Tá certo, então pode ir!”. E o cidadão, aliviado, “Eu sabia que um dia isso ia ser útil…”.
          Quando eu era garoto, não havia nerd. Quero dizer, não tinha essa palavra no vocabulário da época. Mas havia outro nome para os que insistiam em aprender coisas que pareciam (ou eram) inúteis. Chamava-se, ou melhor, abreviava-se “cedeéfe”. Só esses conseguiam recitar de memória os dias da semana em francês – lundi, mardi, mercredi, jeudi, vendredi, samedi e dimanche –, as capitais e as cores da bandeira de todos os países da Europa e os planetas do sistema solar – Mercúrio, Venus, Terra, Marte, Júpiter, Saturno, Urano, Netuno e Plutão –. Para decorar essas coisas, o melhor era repetir a lista várias vezes, em ritmo marcial e quase cantando, como se fosse uma musiquinha.
          Falando nisso, creio que, há algum tempo, todo mundo acompanhou comovido a saga do pobre Plutão, que foi rebaixado de planeta a “planeta anão”, denominação politicamente incorreta e astronomicamente desmoralizante. Mas garanto que a gentil senhora, que nos honra com sua presença constante neste blogue, ficará surpresa ao saber que corre o risco de perder mais um adorável planetinha.
          Este mes comemora-se o décimo aniversário do lançamento da sonda espacial Messenger, cuja missão é coletar dados sobre Mercúrio, o planeta mais próximo do Sol. Sete anos depois do lançamento, a engenhoca entrou na órbita adequada e começou a mandar informações e fotografias. Recentemente, pesquisadores do Instituto Carnegie de Ciência, dos EUA, liderados pelo cientista Paul Byrne, examinaram imagens de toda a superfície de Mercúrio e ficaram estarrecidos, ao concluir que o planeta tinha encolhido cerca de sete quilômetros ao longo de sua história de quase quatro bilhões de anos.
          Como assim, minha senhora, encolher tão pouquinho em tanto tempo não é nada demais? Sete quilômetros são uma ninharia perante as distâncias astronômicas entre corpos celestes e, afinal, o que são meros quatro bilhõezinhos de anos na história do Universo? Muito bem, gostei de ver, tem lido com atenção nossas divagações. Mas não se trata de uma dieta de emagrecimento urgente em vista da proximidade do verão. No caso em questão, trata-se de um planeta bem pequeno, uma esferinha com um raio de apenas dois mil e quinhentos quilômetros. Então, os sete quilômetros perdidos seriam, mal comparando, como se nossa Terra encolhesse o equivalente a mais de duas vezes a altura do Monte Everest.
          Se continuar desse jeito, em menos de um trilhão e meio de anos Mercúrio vai desaparecer e nossa listinha de planetas do sistema solar começará com Venus e terminará com Netuno. Só sobrarão sete dos nove planetas cujos nomes, recitados com estilo, compunham uma suave musiquinha na infância deste humilde cronista. Sei não, tem muita coisa desaparecendo por aí. Deve ser alguma maracutaia cósmica, de fazer inveja na capital federal.
  

Rafael Linden